Lavagem de Dinheiro: Red Flags para Identificar em Parceiros e Fornecedores

Bruno Fraga11 min de leitura
Lavagem de Dinheiro: Red Flags para Identificar em Parceiros e Fornecedores

Em 2024, o Brasil registrou 2,5 milhões de comunicações de operações suspeitas de lavagem de dinheiro ao COAF — um aumento de 766% em relação a 2015. Em 2025, esse número chegou a 3,1 milhões, batendo recorde histórico. Os dados revelam uma realidade que muitos empresários preferem ignorar: criminosos não operam sozinhos. Eles precisam de parceiros comerciais, fornecedores, clientes. E sua empresa pode estar na cadeia sem saber.

A Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, desarticulou um esquema que movimentou R$ 140 bilhões no setor de combustíveis, usando fintechs como "bancos paralelos" e fundos de investimento para blindar patrimônio. Empresas legítimas — postos, distribuidoras, transportadoras — foram infiltradas por organizações criminosas que pareciam parceiros comerciais normais.

Este artigo revela os sinais de alerta que você precisa identificar antes de fechar negócio. São red flags financeiros, operacionais e comportamentais que, quando ignorados, podem transformar sua empresa em peça de uma engrenagem criminosa — com consequências penais, financeiras e reputacionais.

O que é lavagem de dinheiro e por que sua empresa está em risco

Lavagem de dinheiro é o processo de disfarçar a origem ilícita de recursos obtidos por meio de crimes — tráfico de drogas, corrupção, fraudes, sonegação. O objetivo é fazer o dinheiro sujo parecer limpo, integrando-o ao sistema financeiro legítimo.

A Lei 9.613/98, conhecida como Lei de Lavagem de Dinheiro, define esse crime e estabelece penas de 3 a 10 anos de reclusão, além de multas que podem chegar a R$ 20 milhões para pessoas jurídicas que falharem em seus deveres de prevenção.

Por que sua empresa está em risco? Porque criminosos sofisticados não operam com empresas de fachada óbvias. Eles infiltram cadeias produtivas reais, estabelecem relações comerciais aparentemente legítimas e usam a estrutura de empresas honestas para movimentar recursos.

Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, tráfico de drogas e facções criminosas responderam por 48,5% dos crimes citados nos intercâmbios de informações do COAF em 2024. O crime organizado não busca apenas lavar dinheiro — ele busca empresas para se esconder.

Os setores mais vulneráveis

Algumas atividades são particularmente visadas:

  • Combustíveis: postos, distribuidoras, transportadoras
  • Construção civil: incorporadoras, construtoras, fornecedores de materiais
  • Varejo: franquias, redes de lojas, comércio em geral
  • Agronegócio: fazendas, tradings, exportadores
  • Serviços financeiros: fintechs, factorings, corretoras
  • Imobiliário: imobiliárias, construtoras, administradoras

Se você atua em algum desses setores ou tem fornecedores neles, a atenção deve ser redobrada.

As 3 fases da lavagem de dinheiro: colocação, ocultação e integração

Para identificar red flags, é fundamental entender como o dinheiro é lavado. O processo segue três fases distintas — e parceiros ou fornecedores podem participar de qualquer uma delas.

Colocação (Placement)

É a fase mais arriscada para os criminosos. O dinheiro em espécie precisa entrar no sistema financeiro. Métodos comuns incluem:

  • Fracionamento de depósitos: valores divididos em quantias menores para evitar alertas automáticos dos bancos
  • Empresas de fachada com alto giro de caixa: restaurantes, estacionamentos, lavanderias — negócios onde é difícil rastrear volume real
  • Pagamentos em espécie: fornecedores que insistem em receber em dinheiro
  • Mistura com receitas legítimas: inflacionando vendas reais com vendas fictícias

Red flag no seu fornecedor: empresa com faturamento incompatível com a estrutura física ou número de funcionários.

Ocultação (Layering)

Nesta fase, o objetivo é criar camadas de transações para dificultar o rastreamento. Os recursos passam por múltiplas contas, empresas e até países.

  • Transferências entre empresas do mesmo grupo: movimentações circulares sem propósito comercial claro
  • Uso de offshores: empresas em paraísos fiscais como intermediárias
  • Operações de câmbio: dólar-cabo, criptoativos, transferências internacionais
  • Notas fiscais frias: serviços nunca prestados, mercadorias nunca entregues

Red flag no seu parceiro: estrutura societária excessivamente complexa, com holdings, offshores e múltiplas empresas sem justificativa operacional clara.

Integração (Integration)

O dinheiro já aparenta ser limpo e retorna à economia formal. Criminosos investem em:

  • Imóveis de alto valor: mansões, apartamentos de luxo, fazendas
  • Veículos e bens de luxo: carros, jatos, iates, joias
  • Empresas legítimas: aquisições, participações societárias, investimentos
  • Fundos de investimento: especialmente fundos fechados com único cotista

A Operação Carbono Oculto revelou que criminosos mantinham uma frota de 1.600 caminhões, 100 imóveis e 6 fazendas avaliadas em R$ 31 bilhões. Esses ativos foram integrados à economia formal por meio de fundos de investimento e empresas aparentemente regulares.

Red flag no seu cliente: capacidade financeira incompatível com histórico conhecido, aquisições de bens de alto valor sem lastro aparente.

Red flags financeiros: sinais nas transações

Os sinais financeiros são os mais objetivos de identificar. Preste atenção quando parceiros ou fornecedores apresentarem:

Transações em espécie acima do normal

A Lei 9.613/98 exige comunicação ao COAF de pagamentos em espécie acima de R$ 30.000. Mas criminosos sabem disso. Eles fracionam valores, usando múltiplos pagamentos menores.

Sinais de alerta:

  • Insistência em pagamentos em dinheiro, mesmo para valores altos
  • Fracionamento de pagamentos sem justificativa comercial
  • Recusa em aceitar meios eletrônicos rastreáveis
  • Pagamentos feitos por terceiros sem vínculo aparente

Valores incompatíveis

Um fornecedor que fatura R$ 10 milhões por ano mas opera de um escritório de 30m² levanta suspeitas. A desproporção entre faturamento e estrutura é um red flag clássico.

Perguntas que revelam inconsistências:

  • O volume de negócios é compatível com a estrutura física?
  • O número de funcionários condiz com o faturamento declarado?
  • Os preços praticados fazem sentido para a margem do setor?

Transações circulares

Dinheiro que sai e volta por caminhos diferentes sem geração de valor real. Por exemplo: sua empresa paga um fornecedor que subcontrata outro, que por sua vez paga uma empresa que volta a prestar serviços para você — sempre os mesmos valores, em ciclo.

Movimentações para paraísos fiscais

Não é ilegal ter operações internacionais. Mas quando um fornecedor brasileiro de serviços básicos exige pagamento em conta nas Ilhas Cayman, há algo errado.

Jurisdições de alto risco:

  • Paraísos fiscais tradicionais (Ilhas Cayman, BVI, Panamá)
  • Países com baixa regulação financeira
  • Centros offshore europeus (Liechtenstein, Luxemburgo para estruturas opacas)

Preços fora do mercado

Serviços muito abaixo do preço de mercado podem indicar notas fiscais frias — documentos emitidos para justificar movimentação de recursos, mas sem prestação real. Preços muito acima podem indicar superfaturamento para extrair recursos ilícitos.

Red flags operacionais: estruturas e documentação

Além dos sinais financeiros, a estrutura e documentação de parceiros e fornecedores revelam riscos.

Empresas recém-criadas com grandes contratos

Uma empresa fundada há 6 meses ganha uma licitação de R$ 50 milhões? Ou um fornecedor sem histórico fecha contratos vultuosos com múltiplas grandes empresas? Esse padrão merece investigação.

Sinais de alerta:

  • CNPJ aberto recentemente (menos de 2 anos)
  • Capital social incompatível com o volume de operações
  • Ausência de histórico comercial verificável
  • Referências que não se confirmam

Estrutura societária complexa demais

Criminosos sofisticados usam camadas de empresas para dificultar a identificação do beneficiário final. Holdings que controlam holdings, sócios pessoas jurídicas em cascata, empresas no exterior como cotistas.

Perguntas essenciais:

  • Quem é o beneficiário final real?
  • Por que tantas camadas societárias são necessárias?
  • Há justificativa operacional para a complexidade?

Sócios laranjas ou testas de ferro

Na Operação Spare, de setembro de 2025, a Receita Federal identificou 60 motéis e 267 postos de combustíveis registrados em nomes de laranjas — pessoas sem capacidade financeira real, que emprestavam o nome para ocultar os verdadeiros donos.

Como identificar:

  • Sócios com perfil incompatível (baixa renda, sem experiência no setor)
  • Múltiplas empresas nos nomes das mesmas pessoas físicas
  • Sócios que não participam de reuniões ou negociações
  • Procuradores com poderes amplos demais

Documentação irregular ou inconsistente

Contratos sociais com alterações frequentes, endereços que não existem, telefones que não atendem, sites genéricos sem informação real. A documentação de uma empresa legítima conta uma história consistente. A de uma empresa de fachada apresenta lacunas e contradições.

Mudanças frequentes de razão social ou CNPJ

Empresas que "renascem" periodicamente, trocando de CNPJ, razão social ou endereço, podem estar fugindo de passivos — ou reiniciando ciclos de lavagem.

Red flags comportamentais: como parceiros suspeitos agem

Os sinais comportamentais são mais sutis, mas igualmente reveladores.

Resistência a due diligence

Um parceiro comercial legítimo não tem problema em fornecer documentação, abrir informações sobre sua estrutura ou apresentar referências. A resistência a processos de verificação é, por si só, um red flag.

Comportamentos suspeitos:

  • Recusa em fornecer documentos básicos (contrato social, CNPJ, comprovante de endereço)
  • Evasivas sobre a estrutura societária
  • Pressão para fechar negócio antes da conclusão da análise
  • Oferecimento de "facilidades" para acelerar o processo

Urgência injustificada

"Precisamos fechar hoje." "O preço só vale até amanhã." "Não dá tempo de fazer toda essa burocracia." A urgência artificial é técnica clássica para impedir que você faça a devida diligência.

Negócios legítimos raramente têm urgência que impeça verificações básicas de segurança.

Propostas boas demais para ser verdade

Preços 30% abaixo do mercado. Condições de pagamento excepcionalmente favoráveis. Exclusividades oferecidas sem justificativa. Quando algo parece bom demais, geralmente é.

A lógica:

  • Preço muito baixo = possível nota fria ou operação ilícita subsidiando o negócio
  • Condições muito favoráveis = tentativa de criar vínculo rápido antes da descoberta
  • Facilidades excessivas = compensação por riscos ocultos

Intermediários sem vínculo claro

"Meu representante vai tratar disso." "O responsável está viajando, fale com o consultor." Quando há sempre um intermediário entre você e quem realmente decide, e esse intermediário não tem vínculo formal claro com a empresa, algo está errado.

Falta de presença física verificável

Na era digital, muitas empresas operam remotamente. Mas quando um fornecedor de volume não tem sede verificável, funcionários identificáveis ou presença física confirmada, a due diligence precisa ser mais rigorosa.

Tipologias mais comuns: como o dinheiro é lavado na prática

Conhecer as tipologias de lavagem ajuda a identificar padrões suspeitos em parceiros e fornecedores.

Empresas de fachada

Negócios que existem apenas no papel ou têm atividade mínima real. O faturamento declarado não corresponde a operações reais. Na Operação Carbono Oculto, fintechs funcionavam como "bancos paralelos", movimentando R$ 46 bilhões entre 2020 e 2024 sem transparência para os órgãos de controle.

Uso de laranjas e testas de ferro

Pessoas físicas que emprestam o nome para figurar como sócios, representantes ou titulares de bens. Geralmente recebem pequena remuneração pelo "serviço" sem entender (ou fingindo não entender) que participam de crime.

Superfaturamento e subfaturamento

Manipulação de valores em contratos para movimentar recursos:

  • Superfaturamento: paga-se mais do que vale o serviço, a diferença é repassada
  • Subfaturamento: declara-se menos do que foi efetivamente pago, a diferença fica oculta

Dólar-cabo e operações paralelas de câmbio

Sistema informal de transferência de valores que não passa pelo sistema bancário oficial. Depósitos em reais no Brasil correspondem a créditos em dólares no exterior (e vice-versa), sem registro formal de câmbio.

Mescla de recursos lícitos e ilícitos

A técnica mais difícil de detectar: empresas legítimas que misturam receitas reais com recursos ilícitos. Um posto de combustíveis que vende 100 mil litros por mês pode declarar 150 mil, absorvendo 50 mil litros "fictícios" de receita criminosa.

Uso de criptoativos

Criptomoedas permitem transferências sem intermediários bancários. Embora rastreáveis na blockchain, a pseudonimidade dificulta a identificação dos titulares. Exchanges sem KYC rigoroso são pontos de entrada para lavagem.

Obrigações legais: Lei 9.613/98 e comunicação ao COAF

A Lei de Lavagem de Dinheiro não pune apenas criminosos. Ela impõe obrigações a empresas e profissionais que podem ser usados no processo de lavagem — os chamados "setores obrigados".

Quem são os obrigados

A lei abrange diversos setores:

  • Instituições financeiras (bancos, corretoras, fintechs)
  • Seguradoras e corretoras de seguros
  • Administradoras de cartões de crédito
  • Empresas de factoring
  • Imobiliárias e incorporadoras
  • Comerciantes de joias, pedras e metais preciosos
  • Comerciantes de bens de luxo ou alto valor
  • Juntas comerciais
  • Cartórios
  • Contadores e auditores
  • Empresas de assessoria, consultoria e auditoria
  • Pessoas físicas ou jurídicas que comercializem bens de luxo

O que deve ser comunicado

Os obrigados devem comunicar ao COAF:

  • Operações suspeitas, independentemente do valor
  • Operações em espécie acima de R$ 30.000
  • Operações incompatíveis com a capacidade financeira do cliente
  • Qualquer indício de lavagem ou financiamento do terrorismo

O prazo para comunicação é de 24 horas a partir da identificação da suspeita.

Consequências de não reportar

As penalidades administrativas incluem:

  • Advertência: para infrações leves ou primárias
  • Multa: de R$ 1.000 até R$ 20 milhões, dependendo da gravidade
  • Inabilitação: até 10 anos para exercer cargo de administração
  • Cassação: suspensão ou cancelamento de licenças de funcionamento

Além disso, quem não comunica pode responder criminalmente por lavagem de dinheiro se ficar caracterizado dolo ou culpa grave.

A importância do compliance preventivo

O COAF recebeu 7,5 milhões de comunicações em 2024 e elaborou 18.762 Relatórios de Inteligência Financeira. Esses números mostram que o sistema funciona — e que empresas negligentes ficam expostas.

Ter um programa de compliance não é mais diferencial. É requisito de sobrevivência.

Como fazer due diligence eficaz em parceiros e fornecedores

Identificar red flags é o primeiro passo. O segundo é implementar processos sistemáticos de verificação.

Checklist básico de due diligence

Informações cadastrais:

  • Consulta de CNPJ na Receita Federal
  • Verificação de endereço (existe? corresponde ao porte?)
  • Consulta do quadro societário atualizado
  • Identificação do beneficiário final real

Situação fiscal e legal:

  • Certidões negativas (federal, estadual, municipal)
  • Consulta de processos judiciais (cíveis, trabalhistas, criminais)
  • Verificação de protestos e negativações
  • Situação em listas restritivas (CEIS, CEPIM, CNEP)

Histórico e reputação:

  • Tempo de mercado e histórico de faturamento
  • Referências comerciais verificáveis
  • Presença digital e reputação online
  • Notícias e menções na mídia

Aspectos operacionais:

  • Compatibilidade entre estrutura e faturamento
  • Verificação de licenças e autorizações necessárias
  • Capacidade técnica comprovada
  • Histórico de contratos anteriores

Know Your Supplier (KYS)

O KYC (Know Your Customer) é amplamente conhecido. Mas o KYS (Know Your Supplier) é igualmente crítico:

  • Quem são os verdadeiros donos do fornecedor?
  • De onde vem o capital de giro?
  • Quem são os principais clientes?
  • Há relações com pessoas politicamente expostas (PEPs)?
  • Existem vínculos com empresas ou pessoas em listas restritivas?

Monitoramento contínuo

Due diligence não é evento único. Parceiros mudam, sócios saem, situações se alteram. O monitoramento contínuo identifica mudanças de risco:

  • Alterações societárias relevantes
  • Abertura de processos judiciais
  • Inclusão em listas restritivas
  • Mudanças de endereço ou atividade
  • Notícias negativas na mídia

Quando aprofundar a investigação

Nem todo parceiro exige o mesmo nível de escrutínio. Critérios para due diligence aprofundada:

  • Volume financeiro elevado
  • Setores de alto risco (combustíveis, construção, financeiro)
  • Operações internacionais
  • Presença de PEPs no quadro societário
  • Red flags identificados na análise básica
  • Relacionamento de longo prazo em formação

Ferramentas e tecnologia para identificar lavagem de dinheiro

O volume de informações necessárias para due diligence eficaz é imenso. Tecnologia é essencial para escalar a análise.

O que a tecnologia resolve

Consultas automatizadas: verificação simultânea em dezenas de bases de dados — Receita Federal, tribunais, juntas comerciais, listas restritivas, mídia.

Cruzamento de dados: identificação de conexões não óbvias entre empresas, sócios e pessoas físicas. Redes de relacionamento que revelam grupos econômicos ocultos.

Monitoramento contínuo: alertas automáticos quando parceiros sofrem alterações relevantes — novos processos, mudanças societárias, notícias negativas.

Análise de padrões: inteligência artificial identifica comportamentos atípicos que escapariam à análise manual.

O papel da investigação digital

Quando red flags são identificados, o próximo passo é investigar. Verificar se os indícios se confirmam. Mapear conexões. Entender o contexto.

Investigação manual é lenta e custosa. Plataformas especializadas em investigação empresarial aceleram esse processo, cruzando informações de múltiplas fontes e revelando o que está oculto.

O Sherlocker combina inteligência artificial com bases de dados proprietárias para automatizar a due diligence de parceiros e fornecedores. Em minutos, a plataforma executa verificações que levariam dias manualmente — e identifica riscos que passariam despercebidos.

Da identificação à ação

Identificar um red flag é o começo. O que fazer depois?

  1. Documentar: registre o red flag identificado, a data e o contexto
  2. Aprofundar: faça investigação adicional para confirmar ou afastar a suspeita
  3. Avaliar: qual o nível de risco? É impeditivo ou gerenciável?
  4. Decidir: prosseguir, recusar ou estabelecer controles adicionais
  5. Monitorar: se prosseguir, mantenha o parceiro sob acompanhamento reforçado

Conclusão: proteja sua empresa antes que seja tarde

Os números não mentem: 3,1 milhões de operações suspeitas reportadas em 2025, R$ 140 bilhões movimentados em um único esquema criminoso, facções criminosas infiltradas em setores inteiros da economia. Lavagem de dinheiro não é problema de "outras empresas". É risco real para qualquer negócio que tenha parceiros, fornecedores ou clientes.

Os red flags existem. São identificáveis. Mas é preciso olhar com atenção.

Red flags financeiros: transações em espécie, valores incompatíveis, movimentações circulares, preços fora do mercado.

Red flags operacionais: empresas recém-criadas com grandes contratos, estruturas societárias complexas, sócios laranjas, documentação inconsistente.

Red flags comportamentais: resistência a due diligence, urgência injustificada, propostas boas demais, intermediários sem vínculo claro.

Ignorar esses sinais pode custar caro. A Lei 9.613/98 prevê multas de até R$ 20 milhões para empresas que falharem em seus deveres de prevenção. E o dano reputacional pode ser irreversível.

A boa notícia: tecnologia permite identificar riscos antes que se tornem problemas. Due diligence automatizada, monitoramento contínuo e investigação digital são acessíveis hoje.

Sua empresa está preparada para identificar lavagem de dinheiro em parceiros e fornecedores? Se a resposta for incerta, o momento de agir é agora.


Perguntas frequentes

O que é red flag em compliance?

Red flag (bandeira vermelha) é um sinal de alerta que indica possível irregularidade ou risco. Em compliance, red flags são indícios de que uma transação, parceiro ou operação pode envolver atividades ilícitas como lavagem de dinheiro, fraude ou corrupção.

Quais são os principais sinais de lavagem de dinheiro em fornecedores?

Os principais sinais incluem: empresas recém-criadas com grandes contratos, estrutura societária excessivamente complexa, faturamento incompatível com a estrutura física, resistência a fornecer documentação, insistência em pagamentos em espécie e preços muito abaixo do mercado.

O que a Lei 9.613/98 determina para empresas?

A Lei 9.613/98 obriga determinados setores (financeiro, imobiliário, joalherias, entre outros) a implementar políticas de prevenção à lavagem de dinheiro, identificar clientes, manter registros de operações e comunicar transações suspeitas ao COAF. O descumprimento pode resultar em multas de até R$ 20 milhões.

Como comunicar operações suspeitas ao COAF?

As comunicações ao COAF são feitas pelo sistema SISCOAF, disponível no site do órgão. Operações suspeitas devem ser comunicadas em até 24 horas após sua identificação. A comunicação deve incluir dados completos da operação e os motivos que geraram a suspeita.

Quais são as 3 fases da lavagem de dinheiro?

As três fases são: Colocação (inserção do dinheiro ilícito no sistema financeiro), Ocultação (criação de camadas de transações para dificultar o rastreamento) e Integração (retorno do dinheiro à economia formal com aparência de legalidade).

Como fazer due diligence em parceiros comerciais?

Uma due diligence eficaz inclui: consulta de CNPJ e situação cadastral, verificação do quadro societário e beneficiário final, análise de certidões negativas, consulta de processos judiciais, verificação em listas restritivas, análise de compatibilidade entre estrutura e faturamento, e checagem de referências comerciais.

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Escrito por

Bruno Fraga

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