Due Diligence ESG: Como Avaliar Riscos Ambientais, Sociais e de Governança de Parceiros

Em 2025, o Brasil registrou 4.515 denúncias de trabalho escravo — o maior número da série histórica. A Lista Suja do Trabalho Escravo alcançou 691 empresas. E a Justiça do Trabalho determinou a inclusão da JBS Aves no cadastro de empregadores que submetem trabalhadores a condições análogas à escravidão.
O que isso significa para a sua empresa? Que a responsabilidade solidária é real. Se um fornecedor da sua cadeia de suprimentos aparecer na Lista Suja, você pode ser corresponsabilizado — financeira, legal e reputacionalmente.
A due diligence ESG deixou de ser diferencial competitivo. Tornou-se obrigação. Neste guia, você vai aprender como avaliar riscos ambientais, sociais e de governança de parceiros comerciais — com checklists práticos, listas restritivas essenciais e red flags que os profissionais de compliance precisam identificar.
O Que é Due Diligence ESG?
Due diligence ESG é o processo sistemático de identificação, análise e mitigação de riscos relacionados a fatores ambientais (Environmental), sociais (Social) e de governança (Governance) em relações comerciais, parcerias e operações de fusão e aquisição.
Na prática, significa investigar se um potencial parceiro, fornecedor ou empresa-alvo:
- Comete crimes ambientais ou possui passivos ocultos
- Submete trabalhadores a condições degradantes ou análogas à escravidão
- Possui histórico de corrupção, fraudes ou práticas antiéticas de governança
Por Que ESG Virou Obrigatório
O cenário regulatório global mudou drasticamente. A União Europeia aprovou a CSRD (Corporate Sustainability Reporting Directive) e a CSDDD (Corporate Sustainability Due Diligence Directive), que exigem que empresas europeias — e suas parceiras comerciais globais — comprovem práticas ESG ao longo de toda a cadeia de valor.
Segundo análise da KPMG, a CSDDD entrará em vigor em fases a partir de 2026, com penalidades de até 5% do faturamento líquido global para empresas não conformes.
Para empresas brasileiras, isso significa que exportadoras, fornecedoras de multinacionais e qualquer negócio que almeje mercados internacionais precisarão comprovar métricas ESG. Não é uma questão de "se", mas de "quando".
Internamente, a pressão também cresce. Bancos e investidores exigem conformidade ESG para liberação de crédito. Licitações públicas começam a incluir critérios de sustentabilidade. E consumidores cada vez mais pesquisam a reputação das empresas antes de comprar.
Dupla Materialidade: Riscos Financeiros e Impactos
Um conceito fundamental para entender a due diligence ESG moderna é a dupla materialidade. Tradicionalmente, empresas analisavam apenas como fatores ESG afetavam seus resultados financeiros (materialidade financeira). Agora, a análise também inclui o impacto da empresa no meio ambiente e na sociedade (materialidade de impacto).
Isso significa que a due diligence ESG deve responder duas perguntas:
- Risco para a empresa: Como práticas ESG do parceiro podem afetar minha operação, reputação e resultados?
- Impacto externo: Ao me associar a esse parceiro, estou contribuindo para danos ambientais ou sociais?
Ignorar qualquer uma dessas dimensões é assumir um risco que pode materializar em multas, processos e perda de contratos.
Os 3 Pilares da Avaliação ESG
A due diligence ESG estrutura-se em três pilares complementares. Cada um exige análises específicas e consultas a diferentes fontes de informação.
E — Riscos Ambientais
O pilar ambiental investiga se o parceiro possui passivos relacionados a crimes ambientais, licenciamento irregular, contaminação de áreas ou emissões fora dos padrões.
No Brasil, a responsabilidade ambiental é objetiva e solidária, conforme a Lei Federal nº 6.938/1981. Isso significa que independe de culpa: basta a comprovação do dano e do nexo causal. E o atual proprietário ou parceiro pode ser responsabilizado por danos históricos causados por terceiros.
Red flags ambientais a verificar:
- Autos de infração do IBAMA ativos ou histórico de multas
- Licenças ambientais vencidas, suspensas ou inexistentes
- Processos por desmatamento ilegal em áreas de APP ou Reserva Legal
- Emissões de poluentes acima dos limites legais
- Destinação irregular de resíduos sólidos ou efluentes
- Passivos de contaminação de solo ou recursos hídricos
Em novembro de 2025, a Operação Caixa-Forte 2 do IBAMA multou bancos e fazendeiros em R$ 11,2 milhões por financiar atividades agropecuárias em áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia. A operação mirou o "elo financeiro" por trás do desmatamento — demonstrando que a responsabilidade vai além do executor direto do crime.
S — Riscos Sociais
O pilar social avalia riscos relacionados a direitos humanos, condições de trabalho, saúde e segurança ocupacional, e impactos nas comunidades.
O risco mais grave no Brasil é o trabalho análogo à escravidão. Em 2025, foram resgatados 2.772 trabalhadores em condições degradantes, segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego. 68% atuavam no setor rural.
O Artigo 149 do Código Penal define quatro elementos que caracterizam trabalho escravo:
- Trabalho forçado: cerceamento da liberdade de ir e vir
- Servidão por dívida: retenção de salários ou criação de dívidas ilegais
- Condições degradantes: alojamento insalubre, falta de água potável, jornadas extenuantes
- Jornada exaustiva: turnos que colocam em risco a saúde física ou mental
Basta um desses elementos para configurar o crime.
Red flags sociais a verificar:
- Nome do parceiro ou sócios na Lista Suja do Trabalho Escravo
- Denúncias ou processos trabalhistas por condições degradantes
- Terceirizações em cadeia sem controle de condições de trabalho
- Setores de risco: agropecuária, construção civil, confecção têxtil, mineração
- Falta de EPIs, instalações sanitárias ou alojamentos adequados
- Histórico de acidentes de trabalho ou óbitos ocupacionais
O caso das vinícolas da Serra Gaúcha (2023) exemplifica o risco. Uma operação conjunta resgatou 210 trabalhadores submetidos a condições análogas à escravidão por uma terceirizada. As vinícolas contratantes — grandes marcas do mercado — enfrentaram responsabilização solidária, condenações milionárias e danos reputacionais irreparáveis.
G — Riscos de Governança
O pilar de governança analisa a estrutura de controle, transparência, compliance e integridade ética do parceiro.
Empresas com governança fraca são mais propensas a envolvimento em corrupção, fraudes financeiras, conflitos de interesse e práticas ilegais que podem contaminar toda a cadeia comercial.
No Brasil, a Lei Anticorrupção 12.846/2013 estabelece responsabilidade objetiva da pessoa jurídica por atos lesivos contra a administração pública. E permite que empresas contratantes sejam responsabilizadas solidariamente por atos de fornecedores ou parceiros.
Red flags de governança a verificar:
- Sócios ou administradores como Pessoas Politicamente Expostas (PEPs)
- Inclusão em listas de sanções: CEIS, CNEP, OFAC, ONU
- Processos por corrupção ativa ou passiva, lavagem de dinheiro
- Estrutura societária opaca: offshore em paraísos fiscais sem justificativa comercial
- Histórico de inadimplência tributária ou falências anteriores
- Falta de políticas de compliance, código de ética ou canal de denúncias
- Conflitos de interesse entre gestores e decisões comerciais
Red Flags: Como Identificar Riscos ESG em Fornecedores
A identificação precoce de red flags é o que diferencia uma due diligence ESG efetiva de uma mera formalidade documental. Profissionais de compliance, jurídico e procurement precisam desenvolver olhar crítico para sinais de alerta.
Indicadores de Trabalho Análogo à Escravidão
O trabalho escravo contemporâneo raramente é óbvio. Ele se esconde em terceirizações em cadeia, contratos de prestação de serviços e operações rurais distantes dos centros urbanos.
Sinais de alerta:
- Preços muito abaixo do mercado: se o fornecedor oferece serviços ou produtos por valores inexplicavelmente baixos, pode estar economizando em mão de obra — às custas de direitos trabalhistas
- Recusa em permitir auditorias: parceiros que impedem visitas às instalações ou acesso a documentação trabalhista
- Terceirização excessiva: cadeias com múltiplas camadas de subcontratação dificultam o rastreamento de condições de trabalho
- Trabalhadores sem documentação: presença de migrantes sem contratos formais, especialmente em atividades agrícolas ou de construção
- Alojamentos no próprio local de trabalho: especialmente em áreas rurais isoladas
O caso da JBS Aves ilustra como o problema se manifesta. Em abril de 2024, fiscais encontraram 10 trabalhadores em condições análogas à escravidão, com jornadas de até 16 horas diárias, sem acesso a água potável e com descontos ilegais nos salários. Eles haviam sido contratados por uma terceirizada (MRJ Prestadora de Serviços), mas a JBS foi responsabilizada porque definia ritmo de trabalho e demandas — caracterizando subordinação direta.
Sinais de Crimes Ambientais e Passivos Ocultos
Passivos ambientais podem transformar um negócio aparentemente lucrativo em um pesadelo financeiro e jurídico. A due diligence ambiental deve ir além de certidões negativas.
Sinais de alerta:
- Histórico de autos de infração do IBAMA ou órgãos estaduais: mesmo que convertidos em TAC (Termo de Ajustamento de Conduta), indicam operação de risco
- Licenças ambientais "em renovação" há anos: pode indicar não conformidade com condicionantes
- Mudanças frequentes de razão social ou CNPJ: tentativa de fugir de passivos históricos
- Localização em áreas de proteção: APPs, Reserva Legal, entorno de Unidades de Conservação
- Setor de alto impacto: mineração, química, petroquímica, agropecuária extensiva
- Ausência de laudos técnicos ambientais: contaminação de solo ou água pode não ser visível
A responsabilidade ambiental objetiva significa que ao adquirir uma empresa ou propriedade, você herda seus passivos. Um terreno contaminado por atividades de proprietários anteriores será problema seu.
Governança Fraca: Falta de Transparência, PEPs, Sanções
Empresas com governança deficiente são bombas-relógio. Cedo ou tarde, problemas emergem — e quem está associado sofre as consequências.
Sinais de alerta:
- Sócios PEPs não declarados: políticos, servidores públicos de alto escalão ou seus parentes diretos controlando a empresa
- Estrutura societária complexa sem justificativa: holdings em cascata, empresas offshore, uso de laranjas
- Crescimento inexplicável: faturamento que não condiz com capacidade operacional pode indicar lavagem de dinheiro
- Processos judiciais recorrentes: especialmente em varas criminais, trabalhistas ou de falências
- Mídia adversa persistente: notícias negativas sobre práticas da empresa ou de seus controladores
- Recusa em fornecer documentação: parceiros que dificultam acesso a contratos, balanços ou certidões
Listas Restritivas Essenciais para Consulta
Uma due diligence ESG robusta exige consulta sistemática a bases de dados oficiais e listas restritivas. Essas fontes são a primeira linha de verificação antes de qualquer aprofundamento.
Lista Suja do Trabalho Escravo (MTE)
O Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão é atualizado semestralmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Características:
- Nomes permanecem por 2 anos
- Inclui CNPJ/CPF, UF e data de inclusão
- Consulta gratuita no portal gov.br
- 691 empresas listadas (outubro/2025)
Consequências de estar na lista:
- Restrição de crédito em bancos públicos e privados (maioria dos bancos adota como critério)
- Exclusão de licitações públicas
- Bloqueio por grandes varejistas e indústrias em suas cadeias de fornecedores
- Dano reputacional severo
Cadastro de Inidôneos e Inabilitados (CEIS e CNEP)
O CEIS (Cadastro Nacional de Empresas Inidôneas e Suspensas) e o CNEP (Cadastro Nacional de Empresas Punidas) são mantidos pela CGU e registram empresas punidas por irregularidades em contratos públicos ou pela Lei Anticorrupção.
O que verificar:
- Suspensão do direito de licitar
- Declaração de inidoneidade
- Punições por atos lesivos contra a administração pública
- Acordos de leniência firmados
IBAMA — Autos de Infração Ambientais
A consulta de autuações do IBAMA permite verificar autos de infração, embargos e áreas embargadas por crimes ambientais.
Informações disponíveis:
- Número do auto de infração
- Descrição da infração
- Valor da multa
- Situação (ativo, convertido, anulado)
- Áreas embargadas georreferenciadas
Listas Internacionais
Para parceiros com operações internacionais ou transações em dólar, a consulta a listas de sanções globais é obrigatória:
- OFAC (EUA): Office of Foreign Assets Control — sanções econômicas dos Estados Unidos
- Lista Consolidada da ONU: UN Security Council Sanctions — sanções por terrorismo e ameaças à paz
- Lista da UE: EU Sanctions Map — restrições comerciais da União Europeia
Passo a Passo: Como Fazer Due Diligence ESG
A due diligence ESG efetiva segue um processo estruturado. Não adianta consultar listas aleatoriamente — é preciso método.
1. Mapeamento da Cadeia de Fornecedores
Antes de investigar, mapeie. Identifique todos os fornecedores diretos (Tier 1) e, quando possível, os fornecedores dos fornecedores (Tier 2+).
Informações a coletar:
- Razão social, CNPJ, endereço
- Sócios e administradores (CPFs)
- CNAE principal e secundários
- Localização das operações
- Produtos/serviços contratados
O CNAE (Classificação Nacional de Atividades Econômicas) é crítico para análise de risco setorial. Alguns setores têm incidência muito maior de problemas ESG:
| Setor | Riscos ESG prevalentes |
|---|---|
| Agropecuária | Trabalho escravo, desmatamento, uso de agrotóxicos |
| Construção civil | Condições degradantes, acidentes de trabalho |
| Confecção têxtil | Trabalho escravo, trabalho infantil |
| Mineração | Crimes ambientais, passivos de contaminação |
| Frigoríficos | Trabalho escravo em pecuária fornecedora |
2. Consulta a Listas Restritivas
Consulte sistematicamente as bases listadas anteriormente. Para cada parceiro:
- Lista Suja do Trabalho Escravo
- CEIS e CNEP
- Autos de infração IBAMA
- Processos judiciais (Justiça Federal, Estadual, Trabalhista)
- Protestos e negativações (Serasa, SPC)
- PEPs e sanções internacionais
Dica: Consulte não apenas a empresa, mas também seus sócios e administradores. Muitos problemas estão vinculados a pessoas físicas que migram entre empresas.
3. Análise de CNAE e Riscos Setoriais
Com base no CNAE, avalie o risco inerente do setor. Setores de alto risco exigem análise mais profunda — visitas, auditorias e cláusulas contratuais específicas.
O relatório do CNJ sobre crimes ambientais identificou que empresas de agropecuária, mineração e atividades florestais concentram a maior parte dos processos ambientais na Amazônia Legal.
4. Verificação de Licenças e Certidões
Solicite e verifique:
- Licenças ambientais: Licença Prévia (LP), de Instalação (LI) e de Operação (LO) — verificar validade e condicionantes
- Certificado de Regularidade FGTS: indica regularidade trabalhista
- Certidões de débitos tributários: federal, estadual e municipal
- Certidão negativa de falência e recuperação judicial
- CAR (Cadastro Ambiental Rural): para propriedades rurais
Atenção: certidões negativas indicam ausência de problemas registrados, não ausência de problemas. A análise deve ser complementada com outras fontes.
5. Monitoramento Contínuo
Due diligence não é evento único — é processo contínuo. Parceiros devem ser monitorados permanentemente porque:
- Empresas podem entrar na Lista Suja após a contratação
- Licenças ambientais vencem
- Processos judiciais surgem
- Mudanças societárias introduzem novos riscos
Defina frequência de reavaliação com base no nível de risco:
| Risco | Frequência de reavaliação |
|---|---|
| Alto | Trimestral |
| Médio | Semestral |
| Baixo | Anual |
Consequências de Ignorar Riscos ESG
Negligenciar a due diligence ESG não é apenas antiético — é caro. As consequências materializam em múltiplas dimensões.
Responsabilidade Solidária
A Lei Anticorrupção 12.846/2013 permite responsabilização de contratantes por atos de fornecedores. A legislação trabalhista prevê responsabilidade subsidiária — e, em casos de fraude à lei, solidária — por obrigações de terceirizados.
No caso da JBS Aves, mesmo os trabalhadores sendo contratados por uma terceirizada, a Justiça responsabilizou a empresa principal porque ela definia horários, locais e ritmo de trabalho.
Danos Reputacionais e Perda de Clientes
Escândalos ESG viralizam. Quando as vinícolas gaúchas foram associadas a trabalho escravo, a repercussão foi imediata: consumidores boicotaram marcas, supermercados retiraram produtos das prateleiras e importadores cancelaram pedidos.
O dano reputacional pode superar em muito as multas administrativas. Reconstruir confiança leva anos.
Restrição de Crédito e Acesso a Investidores
Bancos e investidores incorporaram critérios ESG em suas análises de risco. Empresas na Lista Suja enfrentam:
- Recusa de crédito rural (Banco do Brasil, Bradesco, Santander adotam a lista)
- Exclusão de fundos de investimento com mandato ESG
- Aumento de spread em operações de crédito
- Dificuldade de acesso a mercados de capitais
Casos Reais de Impacto
Vinícolas da Serra Gaúcha (2023): 210 trabalhadores resgatados, responsabilização solidária das contratantes, condenação de R$ 3 milhões para terceirizada, dano reputacional severo.
JBS Aves (2024-2025): 10 trabalhadores em jornadas de 16 horas, Justiça determina inclusão na Lista Suja, crise institucional no Ministério do Trabalho, ofícios ao MPF, TCU e CGU.
Operação Caixa-Forte (2025): IBAMA multou bancos e fazendeiros em R$ 11,2 milhões por financiar desmatamento ilegal — demonstrando que responsabilidade atinge toda a cadeia de financiamento.
Como a Tecnologia Acelera a Due Diligence ESG
A escala de fornecedores que empresas modernas gerenciam torna a due diligence manual inviável. Tecnologia é essencial para escalar o processo sem comprometer profundidade.
Automação de Consultas em Listas Restritivas
Ferramentas de screening automatizam consultas a dezenas de bases de dados simultaneamente:
- Lista Suja, CEIS, CNEP, OFAC, ONU em uma única pesquisa
- Alertas automáticos quando parceiros são incluídos em listas
- Histórico de consultas para evidência de compliance
Monitoramento Contínuo de Fornecedores
Sistemas de monitoramento contínuo permitem:
- Tracking de mudanças societárias
- Alertas de novos processos judiciais
- Verificação automática de vencimento de licenças
- Mídia adversa: notícias negativas em tempo real
Cruzamento de Dados e Alertas de Risco
IA e análise de dados permitem identificar padrões que análise manual não captaria:
- Relacionamentos ocultos entre fornecedores e PEPs
- Concentração geográfica em áreas de risco
- Anomalias em preços ou volumes que indicam irregularidades
Investigação ESG com Inteligência Artificial
Plataformas de investigação empresarial com IA, como o Sherlocker, integram múltiplas fontes de dados e automatizam processos de due diligence:
- Consulta automática a listas restritivas nacionais e internacionais
- Análise de processos judiciais em todos os tribunais
- Identificação de PEPs e relacionamentos de risco
- Relatórios estruturados para decisão de compliance
A diferença entre uma due diligence artesanal e uma apoiada por tecnologia não é apenas velocidade — é profundidade. Ferramentas especializadas acessam bases que análise manual não alcança.
Conclusão: Due Diligence ESG Como Proteção Empresarial
A due diligence ESG não é burocracia. É proteção. Em um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso, onde responsabilidade solidária é realidade e danos reputacionais destroem marcas, investigar parceiros antes de contratar é investimento — não custo.
Os números são claros: 691 empresas na Lista Suja, 2.772 trabalhadores resgatados em 2025, R$ 11,2 milhões em multas ambientais em uma única operação. Os riscos são concretos e as consequências, severas.
Empresas que implementam processos robustos de avaliação ESG:
- Reduzem exposição a responsabilização solidária
- Protegem reputação e valor de marca
- Garantem acesso a crédito e investidores
- Atendem exigências regulatórias nacionais e internacionais
- Constroem cadeias de suprimentos resilientes
O primeiro passo é mapear. O segundo é consultar. O terceiro é monitorar. E a tecnologia está aí para viabilizar esse processo em escala.
Sua empresa já sabe quem são seus fornecedores de risco?
FAQ — Perguntas Frequentes sobre Due Diligence ESG
O que é due diligence ESG?
Due diligence ESG é o processo de investigação e análise de riscos ambientais, sociais e de governança de parceiros comerciais, fornecedores ou empresas-alvo em operações de M&A. O objetivo é identificar passivos, práticas irregulares ou riscos que possam afetar a empresa contratante financeira, legal ou reputacionalmente.
Quais são os pilares do ESG?
ESG significa Environmental (Ambiental), Social e Governance (Governança). O pilar ambiental analisa impactos ecológicos e passivos; o social avalia condições de trabalho e direitos humanos; o de governança verifica integridade, transparência e práticas anticorrupção.
Como consultar a Lista Suja do trabalho escravo?
A Lista Suja está disponível gratuitamente no portal do Ministério do Trabalho. Basta acessar e buscar por nome ou CNPJ. A lista é atualizada semestralmente.
O que é dupla materialidade ESG?
Dupla materialidade é um conceito que exige analisar tanto os riscos ESG que afetam a empresa financeiramente (materialidade financeira) quanto os impactos da empresa no meio ambiente e sociedade (materialidade de impacto). Regulamentações europeias como CSRD adotam essa abordagem.
Quais são os riscos de não fazer due diligence ESG?
Os principais riscos são: responsabilização solidária por atos de fornecedores (trabalhistas, ambientais, anticorrupção), danos reputacionais, restrição de crédito, perda de contratos com grandes clientes e exclusão de licitações públicas.
Como identificar red flags de governança?
Principais red flags: sócios PEPs não declarados, estrutura societária opaca, processos por corrupção ou fraude, histórico de falências, falta de políticas de compliance, recusa em fornecer documentação e mídia adversa persistente.
O que é a CSDDD da União Europeia?
A Corporate Sustainability Due Diligence Directive (CSDDD) é uma regulamentação europeia que exige que grandes empresas implementem sistemas de gestão de riscos ESG em suas cadeias de valor. Afeta empresas brasileiras que fornecem para o mercado europeu ou são subsidiárias de grupos europeus.
Escrito por
Bruno FragaArtigos relacionados

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