Due Diligence: O Guia Completo para Empresas Brasileiras em 2026

Bruno Fraga14 min de leitura
Due Diligence: O Guia Completo para Empresas Brasileiras em 2026

Due diligence é a investigação sistemática e aprofundada de uma empresa ou negócio antes de uma transação comercial. O processo revela riscos ocultos, passivos não declarados e oportunidades que os números oficiais não mostram. Em um país onde fraudes corporativas afetam milhares de empresas anualmente, a due diligence deixou de ser opcional — tornou-se a primeira linha de defesa para decisões empresariais seguras.

O mercado brasileiro de fusões e aquisições está aquecido. Só em 2025, 596 operações de M&A foram concluídas até maio — alta de 14,6% em relação ao mesmo período de 2024. Esse volume movimenta bilhões de reais e coloca a due diligence no centro das negociações.

Mas due diligence não é só para grandes fusões. Se você contrata um fornecedor estratégico, fecha uma parceria comercial ou recebe um novo sócio, precisa investigar antes de assinar. Este guia mostra como fazer isso de forma prática, com os passos, documentos e red flags que você precisa conhecer.


O que é Due Diligence?

Due diligence — traduzido como "diligência prévia" ou "diligência devida" — é um processo investigativo que examina todos os aspectos relevantes de uma empresa ou transação antes que ela seja concretizada.

O termo vem do direito anglo-saxão e significa, literalmente, "o cuidado que uma pessoa razoável teria". Na prática empresarial, isso se traduz em um exame minucioso de documentos, processos, pessoas e dados para identificar riscos que não estão visíveis na superfície.

O que a due diligence investiga

Uma due diligence completa analisa:

  • Saúde financeira real — balanços, fluxo de caixa, dívidas, passivos ocultos
  • Situação jurídica — processos, contratos, propriedade intelectual, litígios pendentes
  • Conformidade trabalhista — passivos com funcionários, ações na Justiça do Trabalho
  • Obrigações fiscais — débitos com o Fisco, certidões negativas, contingências tributárias
  • Integridade dos sócios — histórico, reputação, conexões com listas restritivas
  • Riscos operacionais — dependências críticas, problemas de governança

Due diligence vs auditoria: qual a diferença?

Muitos confundem due diligence com auditoria. São processos diferentes.

Aspecto Due Diligence Auditoria
Objetivo Avaliar riscos antes de uma decisão Verificar conformidade de demonstrações
Momento Antes da transação Rotineiro ou após período fiscal
Escopo Amplo (financeiro, jurídico, operacional) Específico (geralmente contábil)
Profundidade Investigativa — busca o que não está óbvio Verificação de procedimentos padrão
Resultado Relatório de riscos e recomendações Parecer de conformidade

A auditoria pergunta: "Os números estão corretos?"

A due diligence pergunta: "O que esses números não estão me contando?"


Por que a Due Diligence é Essencial para Empresas

Negócios são feitos com base em informações. Quando essas informações estão incompletas — ou são intencionalmente distorcidas — as consequências podem ser catastróficas.

Proteção contra riscos ocultos

O vendedor de uma empresa conhece os problemas. O comprador, não. Essa assimetria de informação é o terreno fértil para fraudes, omissões e surpresas desagradáveis.

Uma due diligence bem feita inverte essa lógica. Ela coloca o investigador no controle, buscando ativamente o que a outra parte pode estar escondendo.

Casos comuns que a due diligence revela:

  • Processos trabalhistas não declarados que somam milhões
  • Dívidas fiscais parceladas que não aparecem no balanço
  • Contratos com cláusulas de exclusividade que inviabilizam o negócio
  • Sócios com histórico de fraude ou empresas fantasmas
  • Passivos ambientais que podem gerar multas futuras
  • Propriedade intelectual com registro irregular

Tomada de decisão baseada em dados

A due diligence transforma intuição em certeza. Em vez de confiar na apresentação do vendedor ou na reputação de mercado, você tem dados concretos para decidir.

Isso permite:

  • Renegociar valores com base em passivos descobertos
  • Incluir garantias contratuais para riscos específicos
  • Definir condições precedentes antes do fechamento
  • Recusar o negócio quando os riscos superam os benefícios

A Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013) estabelece que empresas podem ser responsabilizadas por atos de corrupção praticados por terceiros que atuem em seu interesse.

Isso significa que, se você se associa a uma empresa envolvida em corrupção — mesmo sem saber —, sua empresa pode ser penalizada. A due diligence é a forma de demonstrar que você agiu com o cuidado necessário.

Além disso, a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) exige que empresas verifiquem como parceiros e fornecedores tratam dados pessoais. Uma due diligence de compliance avalia esses aspectos antes que a parceria comece.


Tipos de Due Diligence

Não existe uma única due diligence. Dependendo do negócio, diferentes áreas precisam ser investigadas. Veja os tipos mais comuns e quando cada um é necessário.

Due Diligence Financeira

Examina a saúde financeira real da empresa-alvo. Vai além dos números apresentados para identificar inconsistências, passivos ocultos e projeções irrealistas.

O que analisa:

  • Demonstrações financeiras dos últimos 3-5 anos
  • Fluxo de caixa operacional e projetado
  • Endividamento e capacidade de pagamento
  • Contingências e provisões
  • Qualidade dos ativos
  • Capital de giro
  • Contratos de financiamento

Quando é necessária:

  • Fusões e aquisições
  • Investimentos (private equity, venture capital)
  • Compra de participação societária
  • Avaliação de crédito para grandes operações

Due Diligence Jurídica

Investiga a situação legal da empresa. Identifica litígios, problemas contratuais e riscos de conformidade que podem afetar a transação.

O que analisa:

  • Constituição societária e alterações
  • Quadro de sócios e histórico
  • Processos judiciais (cíveis, criminais, trabalhistas)
  • Contratos relevantes (clientes, fornecedores, parceiros)
  • Propriedade intelectual (marcas, patentes, softwares)
  • Licenças e autorizações
  • Imóveis e garantias reais

Quando é necessária:

  • Toda transação empresarial relevante
  • Entrada de novos sócios
  • Aquisição de ativos ou empresas
  • Parcerias estratégicas

Due Diligence Trabalhista

Avalia passivos relacionados a funcionários. Uma área crítica no Brasil, onde a legislação trabalhista é complexa e processos são frequentes.

O que analisa:

  • Passivo trabalhista (ações em andamento e risco de novas)
  • Conformidade com a CLT
  • Acordos coletivos
  • Terceirizações e pejotização
  • Benefícios e obrigações previdenciárias
  • Segurança do trabalho

Quando é necessária:

  • Empresas com grande número de funcionários
  • Setores com alta rotatividade
  • Histórico de terceirização
  • Transações que envolvem sucessão trabalhista

Due Diligence Fiscal e Contábil

Examina obrigações tributárias e práticas contábeis. Identifica débitos com o Fisco, planejamentos tributários agressivos e contingências fiscais.

O que analisa:

  • Certidões negativas de débito (CND)
  • Parcelamentos em andamento
  • Processos administrativos fiscais
  • Adequação às normas contábeis (CPC/IFRS)
  • Planejamentos tributários e seus riscos
  • Créditos tributários

Quando é necessária:

  • Toda transação que envolva aquisição de empresa
  • Avaliação de passivos contingentes
  • Reorganizações societárias

Due Diligence Ambiental

Avalia passivos e riscos ambientais. Especialmente relevante para indústrias, agronegócio e empresas com ativos imobiliários.

O que analisa:

  • Licenças ambientais
  • Passivos de contaminação
  • Conformidade com legislação ambiental
  • Processos administrativos no IBAMA/órgãos estaduais
  • Gestão de resíduos
  • Áreas de preservação

Quando é necessária:

  • Aquisição de indústrias
  • Compra de terrenos ou imóveis industriais
  • Empresas do agronegócio
  • Setores de mineração e energia

Due Diligence de Compliance

Verifica a integridade e conformidade da empresa com normas anticorrupção, prevenção à lavagem de dinheiro e outras regulamentações.

O que analisa:

  • Programa de compliance existente
  • Código de conduta e políticas internas
  • Histórico de investigações ou sanções
  • Relacionamento com setor público
  • Transações com PEPs (Pessoas Politicamente Expostas)
  • KYC (Know Your Customer) de clientes e parceiros

Quando é necessária:

  • Parcerias com o setor público
  • Empresas em setores regulados
  • Transações sujeitas à Lei Anticorrupção
  • Investimentos de fundos com critérios ESG

Due Diligence Operacional

Examina a operação do negócio para identificar dependências, gargalos e riscos que afetam a continuidade.

O que analisa:

  • Processos críticos
  • Dependência de pessoas-chave
  • Infraestrutura e capacidade
  • Cadeia de fornecedores
  • Sistemas e tecnologia
  • Clientes concentrados

Quando é necessária:

  • Avaliação de sustentabilidade do negócio
  • Transações que dependem de continuidade operacional
  • Empresas de tecnologia ou serviços

Due Diligence Tecnológica (IT Due Diligence)

Avalia a infraestrutura tecnológica, propriedade intelectual de software e riscos de segurança da informação.

O que analisa:

  • Arquitetura de sistemas
  • Propriedade do código-fonte
  • Licenciamento de software
  • Segurança da informação e vulnerabilidades
  • Conformidade com LGPD
  • Dívida técnica

Quando é necessária:

  • Aquisição de empresas de tecnologia
  • Startups com produto digital
  • Empresas com dados sensíveis

Quando Fazer Due Diligence

A due diligence não é só para grandes fusões. Sempre que você assume um risco significativo com base na integridade de terceiros, a investigação prévia faz sentido.

Fusões e Aquisições (M&A)

O cenário clássico. Antes de comprar uma empresa ou se fundir com outra, a due diligence completa é obrigatória.

O mercado brasileiro de M&A segue aquecido. Segundo a PwC Brasil, as fusões e aquisições são hoje as operações mais viáveis para empresas que buscam crescimento e captação de recursos.

Em uma aquisição, você não está comprando apenas ativos — está herdando todos os passivos, contratos e problemas da empresa-alvo. A due diligence revela o que realmente está incluído no pacote.

Entrada de novos sócios ou investidores

Quando um investidor entra no seu negócio, ele faz due diligence em você. Quando você recebe um novo sócio, deveria fazer o mesmo.

Questões a investigar:

  • Qual o histórico do investidor em outras empresas?
  • Há conflitos de interesse com concorrentes?
  • Qual a fonte dos recursos?
  • Existem litígios ou sanções contra essa pessoa ou empresa?

Contratação de fornecedores estratégicos

Fornecedores críticos — aqueles que podem paralisar sua operação — merecem investigação prévia.

Uma due diligence de fornecedor verifica:

  • Saúde financeira (risco de quebra)
  • Capacidade de entrega
  • Conformidade trabalhista e fiscal
  • Histórico de cumprimento de contratos
  • Reputação no mercado

Parcerias comerciais

Joint ventures, acordos de distribuição, licenciamento — qualquer parceria que vincule sua marca a outra empresa deve ser precedida de due diligence.

O risco reputacional é real. Se seu parceiro se envolve em escândalo, corrupção ou fraude, sua empresa é arrastada junto.

Antes de grandes contratos

Contratos de alto valor ou longo prazo justificam investigação prévia. Você precisa saber se a outra parte tem capacidade de cumprir o acordado — e se não há riscos ocultos que possam afetar a execução.


Como Fazer Due Diligence: Passo a Passo

A due diligence não é improvisada. É um processo estruturado com etapas definidas. Veja como conduzir uma investigação eficaz.

1. Definição do escopo e objetivos

Antes de começar, defina:

  • Qual é a transação? (M&A, parceria, investimento)
  • Quais áreas serão investigadas? (financeira, jurídica, trabalhista, etc.)
  • Qual é o prazo disponível?
  • Quais são os deal breakers? (riscos inaceitáveis que cancelam o negócio)

O escopo determina a profundidade da análise. Uma aquisição de empresa exige due diligence completa. Uma parceria comercial pode exigir apenas análise de compliance e reputação.

2. Montagem da equipe multidisciplinar

Due diligence não é trabalho de uma pessoa só. Dependendo do escopo, você precisa de:

  • Advogados para análise jurídica e contratual
  • Contadores/auditores para análise financeira e fiscal
  • Especialistas em TI para due diligence tecnológica
  • Consultores de compliance para análise de integridade
  • Investigadores para pesquisa de background e OSINT

Em transações menores, plataformas de investigação com IA — como o Sherlocker — podem automatizar boa parte do trabalho, reduzindo custo e tempo.

3. Coleta de documentos e informações

Com o escopo definido, solicite os documentos necessários. A empresa-alvo geralmente disponibiliza um Data Room (físico ou virtual) com a documentação.

Documentos típicos:

  • Contrato social e alterações
  • Demonstrações financeiras
  • Relação de ativos e passivos
  • Contratos relevantes
  • Processos judiciais e administrativos
  • Certidões negativas
  • Documentação trabalhista
  • Licenças e autorizações

A organização do Data Room já diz muito sobre a empresa. Documentação bagunçada ou incompleta é um sinal de alerta.

4. Análise e investigação

Aqui começa o trabalho investigativo. Não basta revisar os documentos fornecidos — é preciso cruzar informações, buscar dados públicos e questionar inconsistências.

Técnicas de investigação:

  • Consulta a bases públicas (Receita Federal, Juntas Comerciais, Tribunais)
  • Pesquisa em registros de propriedade e garantias
  • Verificação de certidões
  • Análise de mídia e notícias
  • OSINT (Open Source Intelligence) para informações não declaradas
  • Entrevistas com funcionários-chave

Ferramentas de IA aceleram esse processo. Uma plataforma como o Sherlocker cruza dados de múltiplas fontes em minutos, identificando conexões que levariam dias para um analista encontrar manualmente.

5. Identificação de red flags

Durante a análise, você vai encontrar problemas. Nem todos são deal breakers. A chave é classificar:

  • Red flags críticos — riscos que inviabilizam o negócio
  • Red flags moderados — problemas que exigem renegociação ou garantias
  • Pontos de atenção — questões a monitorar pós-transação

Exemplos de red flags críticos:

  • Fraude contábil ou omissão de passivos relevantes
  • Sócios em listas de sanções ou investigações criminais
  • Passivos que superam o valor da transação
  • Dependência de contrato que não será mantido pós-aquisição

6. Elaboração do relatório

O resultado da due diligence é consolidado em um relatório que apresenta:

  • Sumário executivo — principais achados e recomendação
  • Análise por área — detalhamento de cada dimensão investigada
  • Lista de riscos — classificados por severidade
  • Impacto financeiro estimado — quando possível, quantifique os riscos
  • Recomendações — condições para prosseguir, garantias necessárias, ajustes no preço

O relatório é a base para as negociações finais e para a definição das cláusulas contratuais de proteção.

7. Tomada de decisão

Com o relatório em mãos, a decisão final pode ser:

  • Prosseguir sem alterações — riscos aceitáveis
  • Renegociar termos — ajustar preço ou incluir garantias
  • Estabelecer condições precedentes — exigir resolução de pendências antes do fechamento
  • Abandonar a transação — riscos inaceitáveis

A due diligence não decide por você. Ela fornece as informações para que a decisão seja consciente.


Documentos Essenciais para Due Diligence

A lista de documentos varia conforme o escopo, mas alguns são universais. Veja a relação por categoria.

Documentos societários

Documento O que verificar
Contrato social consolidado Cláusulas de governança, direito de voto, restrições
Alterações contratuais Histórico de mudanças na estrutura societária
Atas de assembleias Decisões relevantes, conflitos entre sócios
Quadro societário completo Identificação de todos os beneficiários finais
Acordos de acionistas Direitos especiais, tag along, drag along

Documentos financeiros

Documento O que verificar
Balanços patrimoniais (3-5 anos) Evolução dos ativos, passivos e patrimônio
DRE Receitas, custos, margens, tendências
Fluxo de caixa Geração de caixa operacional, investimentos
Relatórios de auditoria Ressalvas, ênfases, parágrafos de ênfase
Relação de dívidas Credores, vencimentos, garantias
Projeções financeiras Premissas, realismo, sensibilidades

Documentos trabalhistas

Documento O que verificar
Relação de funcionários Quantidade, cargos, salários, tempo de casa
Processos trabalhistas Valores envolvidos, status, provisões
Acordos coletivos Obrigações, pisos salariais, benefícios
Contratos com terceiros/PJ Risco de reconhecimento de vínculo
Documentos de segurança do trabalho Laudos, CAT, riscos de passivo

Documentos fiscais

Documento O que verificar
Certidões negativas (federal, estadual, municipal) Débitos pendentes, restrições
Processos administrativos fiscais Autos de infração, defesas, valores
Parcelamentos Condições, valores restantes, riscos de rescisão
Livros fiscais Regularidade de escrituração
Pareceres tributários Planejamentos agressivos, riscos

Contratos e litígios

Documento O que verificar
Contratos com clientes principais Concentração, cláusulas de rescisão, renovação
Contratos com fornecedores Dependências, exclusividades
Processos judiciais cíveis Valores, chances de perda, provisões
Processos criminais envolvendo a empresa ou sócios Implicações reputacionais e legais
Registro de marcas e patentes Titularidade, vigência, contestações

Red Flags: O que Observar na Due Diligence

Investigadores experientes sabem onde os problemas costumam se esconder. Veja os sinais de alerta mais comuns em cada área.

Inconsistências nos dados financeiros

  • Receitas que não batem com notas fiscais emitidas
  • Despesas operacionais muito acima ou abaixo do setor
  • Margens inexplicavelmente altas
  • Contas a receber com concentração excessiva
  • Estoques supervalorizados
  • Empréstimos de sócios sem documentação

Passivos ocultos ou contingências

  • Provisões insuficientes para processos
  • Garantias concedidas não registradas
  • Obrigações ambientais não reconhecidas
  • Passivos trabalhistas subestimados
  • Dívidas com partes relacionadas

Problemas de compliance

  • Ausência de programa de compliance estruturado
  • Histórico de penalidades por órgãos reguladores
  • Transações com empresas em listas restritivas
  • Pagamentos a terceiros sem justificativa clara
  • Relacionamento comercial com PEPs sem due diligence

Histórico de litígios

  • Volume de processos acima da média do setor
  • Padrão de litígios com funcionários (indica problemas trabalhistas crônicos)
  • Processos por fraude ou má-fé
  • Execuções fiscais recorrentes
  • Disputas com ex-sócios

Relações com PEPs ou listas restritivas

  • Sócios ou administradores em listas de sanções
  • Transações com países de alto risco
  • Doações para campanhas políticas não declaradas
  • Contratos com o setor público sem licitação adequada
  • Relações familiares com agentes públicos não divulgadas

Due Diligence e Tecnologia: O Papel da IA

A due diligence tradicional é intensiva em mão de obra. Advogados e contadores passam semanas revisando documentos, consultando bases de dados e cruzando informações.

A tecnologia está transformando esse cenário.

Automação na coleta de dados

Plataformas de investigação automatizam consultas a dezenas de bases de dados públicas simultaneamente. Em vez de acessar manualmente Receita Federal, Juntas Comerciais, Tribunais de Justiça e órgãos reguladores, o sistema faz isso em segundos.

Análise de grandes volumes de documentos

Algoritmos de processamento de linguagem natural (NLP) leem e classificam milhares de documentos, destacando cláusulas relevantes, identificando padrões e apontando anomalias.

Um contrato de 200 páginas que levaria horas para ser revisado é processado em minutos. O analista foca no que importa.

Cruzamento de dados e detecção de padrões

IA identifica conexões que humanos dificilmente encontrariam:

  • Empresas com sócios em comum que não foram declaradas
  • Padrões de transações que indicam fraude
  • Relacionamentos entre pessoas físicas e jurídicas
  • Inconsistências entre documentos diferentes

OSINT e investigação digital

OSINT (Open Source Intelligence) é a coleta de informações em fontes abertas: redes sociais, notícias, registros públicos, fóruns.

Plataformas como o Sherlocker combinam OSINT com bases tradicionais, criando um dossiê completo que revela o que a outra parte não está contando.

Vantagens da tecnologia na due diligence:

  • Velocidade — semanas viram dias
  • Cobertura — mais fontes consultadas simultaneamente
  • Consistência — o algoritmo não esquece de verificar uma base
  • Custo — redução significativa em relação ao processo manual

Quanto Custa uma Due Diligence?

O custo varia enormemente dependendo do escopo, complexidade e urgência.

Fatores que influenciam o custo

  • Tamanho da empresa-alvo — mais receita = mais documentos = mais trabalho
  • Escopo da investigação — só financeira? Completa?
  • Prazo — urgência custa mais
  • Complexidade setorial — setores regulados exigem especialização
  • Qualidade da documentação — Data Room organizado reduz trabalho

Faixas de preço por tipo

Tipo de Due Diligence Faixa de Investimento (estimativa)
Background check básico (pessoa/empresa) R$ 500 - R$ 5.000
Due diligence de fornecedor R$ 5.000 - R$ 30.000
Due diligence de parceria comercial R$ 20.000 - R$ 80.000
Due diligence M&A (PME) R$ 50.000 - R$ 300.000
Due diligence M&A (grande empresa) R$ 200.000 - R$ 2.000.000+

Valores ilustrativos — variam conforme mercado e complexidade.

ROI da due diligence

O custo da due diligence é uma fração do que você pode perder sem ela.

Considere:

  • Um passivo trabalhista oculto de R$ 2 milhões
  • Uma contingência fiscal de R$ 5 milhões
  • Um contrato que não será renovado após a aquisição, destruindo 40% da receita
  • Dano reputacional por associação com empresa envolvida em corrupção

A due diligence que custa R$ 100.000 e identifica um passivo de R$ 5 milhões tem ROI de 5.000%.


Erros Comuns na Due Diligence

Mesmo empresas que fazem due diligence cometem erros que comprometem o resultado.

Escopo mal definido

Começar sem definir claramente o que será investigado leva a análises superficiais em tudo ou profundas demais em áreas irrelevantes.

Como evitar: Defina prioridades antes de começar. Quais são os riscos mais prováveis? Quais seriam inaceitáveis?

Prazo insuficiente

Due diligence não é para ser feita em uma semana. Pressão de tempo leva a atalhos que podem custar caro.

Como evitar: Negocie prazos realistas. Se a outra parte pressiona por fechamento rápido, pergunte por quê.

Foco apenas financeiro

Muitas empresas fazem due diligence financeira detalhada mas ignoram riscos jurídicos, trabalhistas ou de compliance.

Como evitar: Adote abordagem multidisciplinar. Os riscos não financeiros frequentemente se transformam em passivos financeiros.

Ignorar due diligence de terceiros

Concentrar a investigação na empresa-alvo e ignorar fornecedores, clientes e parceiros relevantes.

Como evitar: Mapeie a cadeia de valor. Investigue terceiros críticos para a continuidade do negócio.

Confiar demais nos documentos fornecidos

O vendedor controla o Data Room. Ele mostra o que quer mostrar.

Como evitar: Busque informações em fontes independentes. Use OSINT. Cruze dados. Desconfie de documentação perfeita demais.


Due Diligence e Legislação Brasileira

A due diligence não é apenas boa prática — em alguns contextos, é exigência legal.

Lei Anticorrupção (Lei 12.846/2013)

A Lei Anticorrupção estabelece responsabilidade objetiva de empresas por atos de corrupção praticados em seu interesse.

Isso significa que a empresa pode ser punida mesmo sem prova de culpa dos administradores — basta que o ato tenha ocorrido.

A existência de programas de compliance e a prática de due diligence em parceiros e terceiros são fatores atenuantes das penalidades.

Implicação prática: Empresas que contratam fornecedores, parceiros ou agentes sem investigar previamente assumem risco de responsabilização por atos desses terceiros.

LGPD e proteção de dados

A LGPD (Lei 13.709/2018) exige que empresas garantam a proteção de dados pessoais, inclusive quando compartilhados com terceiros.

Na prática, isso significa que:

  • Antes de compartilhar dados com parceiros, você deve verificar se eles têm práticas adequadas de proteção
  • Em aquisições, a due diligence deve avaliar conformidade com LGPD
  • Passivos de vazamento de dados são herdados pelo comprador

O Marco Legal das Startups trouxe flexibilizações para investimentos em empresas inovadoras, mas não elimina a necessidade de due diligence.

Investidores-anjo e fundos de venture capital continuam fazendo investigação prévia — muitas vezes focada em propriedade intelectual, equipe fundadora e potencial de mercado.


FAQ: Perguntas Frequentes sobre Due Diligence

O que é due diligence?

Due diligence é a investigação sistemática de uma empresa ou negócio antes de uma transação. O processo analisa aspectos financeiros, jurídicos, trabalhistas, fiscais e operacionais para identificar riscos ocultos e embasar a decisão de prosseguir ou não.

Quais são os tipos de due diligence?

Os principais tipos são: financeira, jurídica, trabalhista, fiscal, ambiental, de compliance, operacional e tecnológica. O escopo depende do tipo de transação e dos riscos específicos do negócio.

Quem realiza a due diligence?

Due diligence é geralmente conduzida por equipes multidisciplinares que incluem advogados, contadores, auditores e consultores especializados. Plataformas de investigação com IA, como o Sherlocker, automatizam parte do processo.

Qual a diferença entre due diligence e auditoria?

Auditoria verifica se demonstrações financeiras estão corretas segundo normas contábeis. Due diligence investiga riscos antes de uma transação — é mais ampla, profunda e voltada para descobrir o que não está óbvio.

Quanto tempo dura uma due diligence?

Depende do escopo e complexidade. Uma due diligence de fornecedor pode levar dias. Uma due diligence completa para M&A de grande empresa pode levar meses. O uso de tecnologia reduz significativamente esses prazos.

O que é due diligence em M&A?

É a investigação realizada antes de fusões e aquisições para avaliar a empresa-alvo. Analisa todos os aspectos relevantes para determinar se a transação faz sentido e qual o preço justo, considerando riscos identificados.

Due diligence é obrigatório?

Não existe lei que obrigue due diligence na maioria das transações privadas. Porém, a Lei Anticorrupção considera a existência de due diligence em terceiros como fator atenuante em casos de responsabilização. Na prática, é obrigatória para transações relevantes.

Quanto custa uma due diligence?

Varia de R$ 500 para background checks básicos até milhões para M&A de grandes empresas. O custo depende do escopo, complexidade, prazo e profissionais envolvidos. Plataformas automatizadas reduzem custos para investigações mais simples.


Conclusão

Due diligence não é burocracia — é proteção. Em um ambiente de negócios onde informações são assimétricas e riscos estão frequentemente ocultos, investigar antes de decidir é a diferença entre uma transação bem-sucedida e um problema milionário.

O mercado brasileiro de M&A continua aquecido, parcerias comerciais se multiplicam e a pressão por crescimento leva empresas a assumir riscos nem sempre calculados. A due diligence coloca você no controle.

A tecnologia transformou esse processo. O que antes exigia semanas de trabalho manual agora pode ser feito em dias com plataformas de investigação que cruzam dados, consultam dezenas de fontes e aplicam inteligência artificial para identificar padrões e riscos.

Precisa de uma due diligence completa com tecnologia de ponta? O Sherlocker automatiza a investigação empresarial com IA especializada — transformando dados em inteligência para decisões seguras.


Artigo atualizado em fevereiro de 2026.

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Escrito por

Bruno Fraga

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