Código de Conduta Empresarial: Como Criar, Implementar e Monitorar [Guia 2026]
![Código de Conduta Empresarial: Como Criar, Implementar e Monitorar [Guia 2026]](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fsherlocker.ghost.io%2Fcontent%2Fimages%2F2026%2F02%2Ffeatured-codigo-de-conduta-empresarial.png&w=1920&q=75)
O código de conduta empresarial é um documento que estabelece as regras, princípios e valores que orientam o comportamento de todos os colaboradores, gestores e terceiros que se relacionam com uma organização. Mais do que um manual de boas práticas, é um instrumento de governança corporativa que define o que é aceitável — e o que não é — no ambiente de negócios.
Mas aqui está o que poucos gestores percebem: criar um código de conduta é apenas o primeiro passo. O verdadeiro desafio está em implementá-lo de forma que ele saia do papel, seja absorvido pela cultura organizacional e, principalmente, seja monitorado e aplicado quando violações ocorrem.
Neste guia, você vai entender não apenas como criar um código de conduta empresarial, mas como garantir que ele funcione na prática — incluindo como investigar violações e proteger sua empresa de riscos reputacionais e legais.
O que é código de conduta empresarial?
O código de conduta empresarial é um documento formal que traduz os valores e princípios éticos de uma organização em diretrizes práticas de comportamento. Ele responde a uma pergunta fundamental: "Como esperamos que as pessoas ajam em nome da nossa empresa?"
Diferente de políticas específicas (como política de viagens ou de despesas), o código de conduta é abrangente. Ele estabelece o tom ético da organização e serve como referência para situações do dia a dia que envolvem dilemas morais, conflitos de interesse ou zonas cinzentas.
Diferença entre código de ética e código de conduta
Embora muitas empresas usem os termos de forma intercambiável, existe uma distinção técnica:
| Aspecto | Código de Ética | Código de Conduta |
|---|---|---|
| Foco | Princípios e valores | Comportamentos e ações |
| Tom | Aspiracional | Prescritivo |
| Conteúdo | "O que acreditamos" | "O que fazemos e não fazemos" |
| Exemplo | "Valorizamos a integridade" | "É proibido aceitar presentes acima de R$ 200" |
Na prática, muitas organizações combinam ambos em um único documento chamado "Código de Ética e Conduta Empresarial", que apresenta tanto os princípios norteadores quanto as regras específicas de comportamento.
Base legal: Lei Anticorrupção e compliance
O código de conduta ganhou relevância legal no Brasil com a Lei nº 12.846/2013, conhecida como Lei Anticorrupção. O artigo 7º, inciso VIII, estabelece que a existência de "mecanismos e procedimentos internos de integridade, auditoria e incentivo à denúncia de irregularidades e a aplicação efetiva de códigos de ética e de conduta" é considerada na aplicação de sanções.
Ou seja: ter um código de conduta efetivo pode reduzir penalidades em caso de infrações. Mas atenção à palavra-chave: efetivo. Um documento que existe apenas no papel, sem implementação real, não será considerado atenuante.
O Decreto nº 8.420/2015 regulamentou a Lei Anticorrupção e detalhou os parâmetros para avaliação de programas de integridade, reforçando a importância do código de conduta como pilar central.
Por que sua empresa precisa de um código de conduta?
A pergunta não deveria ser "por que criar um código de conduta?", mas sim "por que você ainda não tem um?" Os dados mostram que empresas sem diretrizes claras de comportamento estão mais expostas a riscos que podem custar milhões.
Obrigatoriedade vs. recomendação
Tecnicamente, o código de conduta não é obrigatório por lei para todas as empresas. No entanto, essa afirmação precisa de contexto:
Situações em que é obrigatório ou quase obrigatório:
- Contratos com órgãos públicos: A Portaria nº 877/2018 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento tornou obrigatória a implementação de código de conduta para empresas com contratos iguais ou superiores a R$ 5 milhões. Outros órgãos seguem tendência similar.
- Empresas listadas em bolsa: A B3 exige níveis de governança corporativa que incluem políticas de integridade para empresas no Novo Mercado e outros segmentos de listagem diferenciada.
- Setores regulados: Instituições financeiras, seguradoras e empresas de saúde têm exigências regulatórias específicas que incluem códigos de conduta.
- Cadeias de fornecimento globais: Multinacionais exigem que fornecedores brasileiros tenham programas de compliance, incluindo código de conduta.
Benefícios para governança corporativa
Um código de conduta bem implementado traz benefícios concretos:
- Redução de riscos legais: Funciona como atenuante em processos administrativos e judiciais, conforme previsto na Lei Anticorrupção.
- Proteção reputacional: Estabelece padrões claros que ajudam a prevenir escândalos e crises de imagem.
- Alinhamento organizacional: Garante que todos — do estagiário ao CEO — operem com as mesmas referências éticas.
- Atração de talentos: Profissionais qualificados buscam empresas com cultura de integridade clara.
- Acesso a mercados: Facilita relações comerciais com grandes clientes, especialmente multinacionais, e participação em licitações.
O custo de não ter um código de conduta
Quando uma empresa não tem diretrizes claras, cada colaborador opera com seu próprio senso do que é certo ou errado. O resultado? Inconsistências, conflitos e, eventualmente, violações que poderiam ter sido evitadas.
Casos emblemáticos no Brasil mostram que a ausência ou ineficácia de códigos de conduta contribuiu para escândalos corporativos que resultaram em bilhões em multas, destruição de reputação e até falência.
Temas essenciais que todo código de conduta deve abordar
Um código de conduta eficaz não precisa ser extenso, mas deve cobrir os temas críticos para a realidade da empresa. Baseado em benchmarks de mercado e requisitos regulatórios, estes são os temas que não podem faltar:
1. Conflito de interesses
O conflito de interesses ocorre quando interesses pessoais de um colaborador podem influenciar — ou parecer influenciar — decisões que ele toma em nome da empresa.
O código deve definir:
- O que constitui conflito de interesses (exemplos concretos)
- Obrigação de declarar potenciais conflitos
- Processo para avaliação e gestão de conflitos declarados
- Consequências para conflitos não declarados
Exemplos típicos a serem abordados:
- Contratar parentes ou empresas de familiares
- Ter participação societária em fornecedores ou concorrentes
- Exercer atividades paralelas que conflitem com o cargo
- Tomar decisões que beneficiem empresas onde o colaborador tem interesse
2. Política de presentes e hospitalidade
Uma das áreas mais cinzentas da ética empresarial. Quando um presente é cortesia comercial legítima e quando é tentativa de influência indevida?
Elementos essenciais:
- Valor máximo permitido para presentes (ex: R$ 200, R$ 300)
- Tipos de presentes sempre proibidos (dinheiro, gift cards)
- Regras para hospitalidade (refeições, eventos, viagens)
- Procedimento para presentes que excedam o limite
- Tratamento diferenciado para agentes públicos (tolerância zero ou muito restrita)
3. Relacionamento com agentes públicos e anticorrupção
Este é o coração da prevenção à corrupção e o tema mais sensível para a Lei Anticorrupção.
O código deve ser explícito sobre:
- Proibição absoluta de pagamentos indevidos (propina)
- Regras para pagamentos de facilitação
- Cuidados em licitações e contratos públicos
- Doações a partidos políticos e candidatos
- Interação com fiscais, auditores e reguladores
- Patrocínios e contribuições a entidades ligadas ao poder público
4. Relacionamentos no ambiente de trabalho
Estabelece expectativas sobre como as pessoas devem se tratar dentro da organização.
Temas a cobrir:
- Respeito à diversidade e inclusão
- Proibição de assédio moral
- Proibição de assédio sexual
- Relacionamentos amorosos entre colaboradores (regras de disclosure)
- Comportamento em eventos corporativos
- Uso de redes sociais (quando envolve a empresa)
5. Uso de recursos da empresa
Define limites claros para uso de ativos corporativos.
Pontos importantes:
- Uso de equipamentos (computadores, celulares, veículos)
- Uso de software e propriedade intelectual
- Despesas corporativas e reembolsos
- Viagens a trabalho
- Cartão corporativo
6. Confidencialidade e proteção de dados
Com a LGPD em vigor, este tema tornou-se ainda mais crítico.
O código deve abordar:
- Proteção de informações confidenciais da empresa
- Proteção de dados pessoais de clientes e colaboradores
- Uso adequado de informações privilegiadas
- Cuidados com informações de terceiros
- Procedimentos em caso de vazamento
7. Canal de denúncias
O código deve explicar como reportar violações e garantir que denunciantes estejam protegidos.
Elementos obrigatórios:
- Como acessar o canal de denúncias
- Possibilidade de denúncia anônima
- Proteção contra retaliação
- Compromisso de investigação de todas as denúncias
- Confidencialidade do processo
8. Consequências para violações
Um código sem consequências claras é apenas uma declaração de boas intenções.
O código deve estabelecer:
- Tipos de medidas disciplinares (advertência, suspensão, demissão)
- Critérios de proporcionalidade
- Processo de apuração
- Direito de defesa
- Responsabilização de gestores por violações de subordinados
Passo a passo: como criar um código de conduta eficaz
Criar um código de conduta não é simplesmente redigir um documento. É um processo que envolve diagnóstico, engajamento e validação. Seguir uma metodologia adequada aumenta significativamente as chances de o código ser efetivo.
Passo 1: Formar comitê multidisciplinar
O código não deve ser criado isoladamente pelo jurídico ou pelo RH. Forme um comitê que inclua:
- Compliance/Jurídico: Garantir adequação legal e regulatória
- RH: Alinhar com políticas de pessoas e cultura
- Operações: Trazer a perspectiva prática do dia a dia
- Alta liderança: Dar legitimidade e compromisso executivo
- Representantes de áreas críticas: Comercial, compras, relações governamentais
Passo 2: Mapear riscos e cultura organizacional
Antes de escrever, entenda:
Diagnóstico de riscos:
- Quais são os principais riscos éticos do seu setor?
- Onde ocorreram problemas no passado?
- Quais áreas têm maior exposição a tentações ou pressões?
Diagnóstico de cultura:
- Como as pessoas percebem a ética na empresa hoje?
- Existem práticas informais que conflitam com a ética desejada?
- Qual o nível de confiança nas lideranças?
Ferramentas úteis: pesquisas de clima ético, entrevistas com gestores, análise de histórico de denúncias.
Passo 3: Definir princípios e valores
Com base no diagnóstico, defina os princípios norteadores que guiarão todo o documento:
- Integridade: Agimos de forma honesta e transparente
- Respeito: Tratamos todos com dignidade
- Responsabilidade: Assumimos as consequências de nossas ações
- Excelência: Buscamos o melhor em tudo que fazemos
- Conformidade: Respeitamos leis e regulamentos
Esses princípios devem refletir a identidade genuína da empresa, não serem apenas frases genéricas copiadas de outros códigos.
Passo 4: Redigir com linguagem acessível
Este é o ponto onde muitos códigos falham. Um documento que ninguém consegue entender é um documento que ninguém vai seguir.
Boas práticas de redação:
- Use linguagem simples: Evite juridiquês e termos técnicos desnecessários
- Seja específico: Em vez de "evite conflitos de interesse", descreva situações concretas
- Inclua exemplos: "Caso prático: João recebeu uma oferta de emprego de um fornecedor..."
- Use perguntas: "Não tem certeza se pode aceitar esse presente? Pergunte-se: eu ficaria confortável se isso fosse publicado no jornal?"
- Seja direto: Diga claramente o que é proibido, não apenas o que é "desaconselhado"
Extensão ideal: Entre 20 e 40 páginas. Mais curto pode ser superficial; mais longo dificilmente será lido.
Passo 5: Validar com jurídico e compliance
Antes de finalizar, o documento deve passar por revisão técnica:
- Verificar adequação à legislação (Lei Anticorrupção, LGPD, CLT, legislação setorial)
- Garantir que consequências são aplicáveis (não criar penalidades impossíveis de executar)
- Validar procedimentos descritos (canal de denúncias, investigação)
- Alinhar com outros documentos internos (políticas, contratos, regimento interno)
Passo 6: Aprovar com alta liderança
O código de conduta deve ter o endosso formal da mais alta instância da empresa — idealmente o Conselho de Administração ou, na sua ausência, a Diretoria.
Por que isso importa:
- Demonstra comprometimento do topo
- Dá legitimidade ao documento
- É requisito para programas de integridade avaliados por reguladores
- Permite que o código seja citado em contratos e comunicações oficiais
Uma carta de apresentação assinada pelo CEO ou presidente do conselho, incluída no início do documento, reforça esse compromisso.
Implementação: como fazer o código sair do papel
Ter um código aprovado é metade da jornada. A outra metade — e mais desafiadora — é garantir que ele seja conhecido, compreendido e seguido por todos.
Treinamento obrigatório
Ninguém pode ser responsabilizado por violar regras que desconhece. O treinamento é essencial.
Estrutura recomendada:
- Treinamento inicial: Todos os novos colaboradores, nos primeiros 30 dias
- Treinamento de reciclagem: Anual, para toda a empresa
- Treinamento específico: Para áreas de maior risco (comercial, compras, RGov)
- Treinamento de liderança: Gestores precisam saber como lidar com dilemas éticos de suas equipes
Formatos eficazes:
- E-learning interativo (escalável, com registro de conclusão)
- Workshops presenciais (para discussão de dilemas)
- Gamificação (engaja mais que apresentações tradicionais)
- Casos práticos e role-playing
Termo de aceite
Todos os colaboradores devem assinar um termo declarando que:
- Receberam e leram o código de conduta
- Compreenderam seu conteúdo
- Comprometem-se a cumpri-lo
- Estão cientes das consequências de violações
Esse termo deve ser renovado periodicamente (anualmente ou a cada atualização significativa do código) e arquivado de forma que possa ser recuperado em caso de necessidade.
Comunicação contínua
O código não pode ser apresentado uma vez e esquecido. Mantenha o tema vivo na organização:
- Campanhas periódicas: Semana da ética, mês do compliance
- Comunicações sobre casos (anonimizados): Mostrar que violações são investigadas e punidas
- Reforço em reuniões: Líderes devem mencionar o código quando relevante
- Materiais de apoio: Cartazes, cards digitais, vídeos curtos
- Integração com onboarding: Não apenas treinamento, mas imersão cultural
Extensão a terceiros e fornecedores
Um código que se aplica apenas a colaboradores deixa lacunas significativas. Fornecedores, representantes comerciais, consultores e parceiros também agem em nome da sua empresa.
Boas práticas:
- Incluir cláusulas de compliance em contratos
- Exigir que terceiros tenham seus próprios códigos de conduta
- Realizar due diligence de integridade antes de contratar
- Monitorar periodicamente a conformidade de terceiros críticos
- Estabelecer canal para que terceiros reportem preocupações
Monitoramento: como garantir cumprimento do código
Criar e implementar é importante, mas sem monitoramento, você não sabe se o código está funcionando. Pior: você pode ter uma falsa sensação de segurança.
Indicadores de adesão
Defina métricas que permitam acompanhar a efetividade do programa:
Indicadores quantitativos:
- % de colaboradores treinados
- % de termos de aceite assinados
- Número de consultas ao canal de denúncias/dúvidas
- Número de denúncias recebidas (aumento pode indicar confiança no canal)
- Tempo médio de resposta a denúncias
- Taxa de casos substantivados vs. improcedentes
Indicadores qualitativos:
- Pesquisa de percepção ética (clima)
- Avaliação de conhecimento pós-treinamento
- Feedback de gestores sobre dilemas enfrentados
Auditorias periódicas
Auditorias de compliance verificam se as políticas estão sendo seguidas na prática:
- Auditoria de processos: Verificar se controles estão funcionando
- Testes de aderência: Checar se transações reais seguem as políticas
- Revisão de denúncias: Avaliar qualidade das investigações
- Assessment de terceiros: Verificar conformidade de fornecedores críticos
Frequência recomendada: ao menos anualmente para processos críticos.
Canal de denúncias efetivo
O canal de denúncias é os olhos e ouvidos do programa de integridade. Para funcionar, precisa:
- Ser acessível: Múltiplos canais (telefone, web, app, e-mail)
- Garantir anonimato: Quando desejado pelo denunciante
- Ser independente: Operado por área com autonomia ou terceirizado
- Responder rapidamente: Tempo de resposta inicial em até 48h
- Proteger denunciantes: Política anti-retaliação clara e aplicada
- Investigar tudo: Não arquivar denúncias sem análise adequada
Tecnologias de monitoramento
Ferramentas tecnológicas podem amplificar a capacidade de detectar irregularidades:
- Monitoramento de transações: Identificar padrões suspeitos em pagamentos
- Análise de comunicações: Com cuidados legais, monitorar comunicações corporativas
- Background check contínuo: Monitorar situação de colaboradores e terceiros críticos
- Analytics de denúncias: Identificar padrões e áreas de maior risco
Quando o código é violado: investigação e consequências
Aqui está a verdade inconveniente: mesmo com o melhor código de conduta, violações vão acontecer. O que diferencia empresas maduras é como elas respondem.
Processo de apuração de denúncias
Toda denúncia deve seguir um processo estruturado:
1. Recebimento e triagem
- Registrar a denúncia com protocolo único
- Classificar por gravidade e tipo
- Definir se há conflito de interesse na apuração
- Decidir se requer investigação ou pode ser resolvida de forma mais simples
2. Investigação preliminar
- Coletar informações iniciais
- Preservar evidências
- Decidir se há indícios suficientes para investigação completa
3. Investigação completa
- Definir escopo e plano de investigação
- Coletar e analisar documentos
- Entrevistar envolvidos e testemunhas
- Garantir direito de defesa do investigado
- Documentar todas as etapas
4. Conclusão e relatório
- Apresentar achados de forma objetiva
- Indicar se houve violação e qual sua gravidade
- Recomendar medidas disciplinares e corretivas
5. Medidas e acompanhamento
- Aplicar consequências proporcionais
- Implementar correções para evitar recorrência
- Comunicar resolução ao denunciante (sem identificar investigado)
Investigação corporativa interna
Para casos mais graves, a investigação corporativa pode exigir técnicas especializadas:
- Forensics digital: Análise de e-mails, dispositivos, sistemas
- Entrevistas investigativas: Técnicas para obter informações sem coação
- Análise de dados: Cruzamento de informações para identificar padrões
- Due diligence de envolvidos: Verificar histórico e conexões
Empresas com estrutura limitada podem contratar especialistas externos para investigações complexas. Plataformas como o Sherlocker oferecem ferramentas de investigação corporativa com IA que auxiliam na análise de dados e identificação de irregularidades.
Medidas disciplinares
As consequências devem ser:
- Proporcionais: Adequadas à gravidade da violação
- Consistentes: Casos similares devem ter tratamentos similares
- Documentadas: Registro formal da decisão e fundamentação
- Tempestivas: Aplicadas em prazo razoável após conclusão da investigação
Escala típica de medidas:
- Advertência verbal
- Advertência escrita
- Suspensão
- Rebaixamento/transferência
- Demissão por justa causa
- Ação judicial (em casos de ilícitos)
Proteção ao denunciante
A política anti-retaliação não é apenas ética — é requisito legal em muitos contextos. O denunciante de boa-fé deve ser protegido de:
- Demissão ou não renovação de contrato
- Mudança desfavorável de função ou local
- Exclusão de promoções ou benefícios
- Assédio ou hostilidade de colegas ou superiores
- Qualquer tratamento discriminatório
Denúncias de retaliação devem ser tratadas com a mesma seriedade que as denúncias originais.
Casos emblemáticos no Brasil
A história corporativa brasileira recente oferece lições sobre a importância — e as consequências da falha — de códigos de conduta:
Operação Lava Jato e construtoras: Empresas como Odebrecht, OAS e Camargo Corrêa operavam com códigos de conduta formais enquanto mantinham departamentos estruturados de corrupção. O resultado: multas bilionárias, prisões de executivos, destruição de valor. A lição: código de conduta que não é implementado de verdade é papel.
Americanas (2023): O escândalo contábil que revelou um rombo de mais de R$ 20 bilhões mostrou falhas graves em controles internos e governança. A ausência de cultura de integridade efetiva permitiu que irregularidades perdurassem por anos.
Esses casos demonstram que o código de conduta precisa estar integrado à cultura organizacional e ser monitorado continuamente — não basta existir formalmente.
Exemplos de código de conduta de grandes empresas
Analisar como empresas reconhecidas estruturam seus códigos pode oferecer insights valiosos:
Nestlé
O código da Nestlé é referência por sua clareza e abrangência global. Destaques:
- Disponível em múltiplos idiomas
- Linguagem simples com muitos exemplos práticos
- Seção específica para dilemas ("E se...")
- Integrado a plataforma de treinamento online
- Atualizado regularmente
Votorantim
Como grupo familiar brasileiro que passou por profissionalização, o código da Votorantim equilibra tradição e modernidade:
- Forte ênfase em valores familiares/fundadores
- Governança clara entre família e executivos
- Código específico para cada empresa do grupo
- Processo robusto de due diligence de parceiros
Apple (código para fornecedores)
A Apple aplica seu código de conduta a toda a cadeia de fornecimento:
- Auditorias regulares em fornecedores
- Padrões trabalhistas, ambientais e éticos
- Consequências claras (inclusive exclusão de fornecedores)
- Relatórios públicos de conformidade
O que aprender com esses exemplos:
- Clareza e acessibilidade são mais importantes que extensão
- Exemplos práticos aumentam compreensão
- Código deve ser vivo (atualizado, comunicado)
- Extensão a terceiros é essencial
Erros comuns na criação do código de conduta
Evite estas armadilhas que comprometem a efetividade do código:
1. Código genérico demais
Copiar modelos prontos sem adaptar à realidade da empresa cria um documento que não ressoa com ninguém. O código deve refletir os riscos específicos do setor, porte e cultura da organização.
2. Linguagem jurídica inacessível
Se o colaborador médio não consegue entender o código, ele não vai segui-lo. Juridiquês e termos técnicos devem ser traduzidos para linguagem do dia a dia.
3. Falta de canal de denúncias
Código sem canal de denúncias é como ter leis sem polícia. As pessoas precisam de um meio seguro para reportar violações.
4. Ausência de consequências claras
"Violações serão tratadas conforme a gravidade" não é suficiente. Pessoas precisam saber o que acontece se violarem o código.
5. Não treinar colaboradores
Distribuir o código por e-mail e esperar que todos leiam é ingenuidade. Treinamento estruturado é obrigatório.
6. Código engavetado
Lançar com pompa e depois nunca mais mencionar. O código precisa de comunicação contínua e reforço constante.
7. Liderança que não dá exemplo
Quando gestores violam o código sem consequências, a mensagem é clara: as regras não valem para todos. O exemplo começa pelo topo.
8. Não atualizar periodicamente
Legislação muda, negócios evoluem, novos riscos surgem. Um código desatualizado perde relevância e pode criar gaps de conformidade.
Modelo de estrutura para código de conduta empresarial
Para empresas que estão começando, esta estrutura pode servir como ponto de partida:
1. Mensagem da liderança
2. Propósito e abrangência do código
3. Nossos valores e princípios
4. Como usar este código
5. Temas de conduta:
5.1 Conflito de interesses
5.2 Presentes e hospitalidade
5.3 Anticorrupção e relacionamento com governo
5.4 Concorrência leal
5.5 Respeito no ambiente de trabalho
5.6 Confidencialidade e proteção de dados
5.7 Uso de recursos corporativos
5.8 Saúde, segurança e meio ambiente
5.9 Comunicação e redes sociais
6. Canal de denúncias e como reportar
7. Processo de apuração de violações
8. Consequências disciplinares
9. Responsabilidades (colaboradores, gestores, diretoria)
10. Termo de compromisso
Anexo: Glossário e perguntas frequentes
Conclusão: código de conduta como pilar da integridade empresarial
O código de conduta empresarial é muito mais do que um documento de compliance. Quando bem construído e implementado, ele se torna um pilar fundamental da cultura organizacional, orientando decisões, prevenindo riscos e construindo reputação.
Os pontos-chave para lembrar:
- Criar é só o começo: A implementação, o treinamento e o monitoramento são tão importantes quanto a redação.
- Especificidade importa: Códigos genéricos não funcionam. Adapte à realidade da sua empresa.
- Linguagem acessível: Se as pessoas não entendem, não seguem.
- Canal de denúncias efetivo: É o mecanismo que permite detectar violações.
- Consequências reais: Código sem enforcement é decoração.
- Liderança pelo exemplo: O tom vem de cima.
- Atualização constante: Revise periodicamente para manter relevância.
Próximos passos para sua empresa
Se sua empresa ainda não tem um código de conduta, comece agora:
- Forme um comitê multidisciplinar
- Faça um diagnóstico de riscos e cultura
- Defina os temas prioritários
- Redija com clareza e exemplos
- Valide e aprove com a liderança
- Lance com treinamento obrigatório
- Estabeleça canal de denúncias
- Monitore e atualize periodicamente
Se já tem um código mas ele está engavetado, é hora de revitalizá-lo com comunicação, treinamento e monitoramento efetivos.
E quando violações acontecerem — porque vão acontecer — esteja preparado para investigar de forma profissional e aplicar consequências proporcionais. Para empresas que precisam de apoio em investigações corporativas, ferramentas especializadas podem fazer a diferença entre uma apuração efetiva e uma que deixa lacunas perigosas.
Conteúdo atualizado em fevereiro de 2026.
Escrito por
Bruno FragaArtigos relacionados
![Investigação Interna Corporativa: Como Conduzir Passo a Passo [2026]](/_next/image?url=https%3A%2F%2Fsherlocker.ghost.io%2Fcontent%2Fimages%2F2026%2F02%2Ffeatured-investigacao-interna-corporativa.png&w=1920&q=75)
Investigação Interna Corporativa: Como Conduzir Passo a Passo [2026]
Aprenda como conduzir uma investigação interna corporativa: metodologia, entrevistas, preservação de provas, aspectos trabalhistas e relatório final. Guia completo com ISO 37008.

M&A Due Diligence: Checklist Completo para Fusões e Aquisições
Due diligence em M&A: checklist completo com as 5 fases, tipos por área, red flags, documentos essenciais e erros que destroem aquisições. Guia prático 2026.

Sanctions Screening: O Guia Completo para Verificar Listas Restritivas e Proteger sua Empresa
Guia completo de sanctions screening: entenda OFAC, ONU, UE, como consultar listas restritivas, consequências de violação e como implementar na sua empresa.
Experimente o Sherlocker
Automatize suas investigacoes com IA. Teste gratis por 5 dias.
Comecar Gratis